Como conquistar uma mulher – em dez anos*

01/09/2011
Filme: Adam Sendler e Drew Berrymore em "50 First Dates"

Cena do filme "50 First Dates" ("Como se fosse a primeira vez", EUA, 2004), com Adam Sandler e Drew Barrymore

Sinto desapontar aos que procuram, ávidos, aprender sobre o assunto: vocês foram enganados.

Disseram que exigia técnica, traquejo, tática, estratégia. Que você tinha que ter charme, pegada. Perfume especial, papo especial, roupa especial. Que não podia ser tímido, feio, gago, gordo, o diabo. Ou que tinha que ser o diabo, o bad boy. E haja regra – e frustração.

Tudo mentira.

É fácil namorar uma mulher. Talvez não uma mulher específica. Talvez não a que você deseje agora. Mas certamente é fácil, muito mais do que você pensa, achar alguém do tipo que seja do agrado do candidato. Basta ter paciência: com bilhões de mulheres no mundo, é estatisticamente impossível que você não ache a sua.

Duvida? Então faça como eu: vá lá, e faça uma leitura rápida em meia dúzia de revistas femininas. Pode ser escondido, não tem problema. Respeito os seus pudores machistas. É até esperado, apesar da hipocrisia do politicamente correto, do metrossexual. Mas leia: descobrirá que a psiquê feminina não é segredo de Estado, assunto ultra-secreto. É conhecimento de domínio público, literalmente – pois que publicado semanalmente, nas bancas.

Aproveite a aldeia global. Em tempos de mundo em rede, as opções se multiplicam, e a mulher que não se acha na vizinhança pode estar bem ali, na Rússia, ou no Japão. Ou apenas do outro lado da cidade, olha que pertinho!

E saia da solidão.

Mas isso não é conquistar. Pode ser paquerar, namorar, pode ser até casar! Mas conquistar é diferente.

Conquistar leva tempo. Tem que ter paciência. Muita paciência. Muitíssima paciência… e haja paciência! E não se trata de vã repetição…

A musa que você procura, para começo de conversa, é humana (espero eu).Menstrua  (tomara). Acorda de mau humor, com hálito matutino (é, o bafo), “penteado matutino”, humor matutino. Cansa-se. Aborrece-se – nem sempre por justa causa. Tem ela também suas dores e temores – estes, freqüentemente sem causa aparente. Ela se acha gorda – não importa o manequim. A não ser que se ache magra demais. Mas nunca, nunca mesmo, se dará por satisfeita diante do espelho. Nem que viva (bem) da própria imagem. E se falar que está satisfeita, cuidado: é mentira!

Ela tem defeitos. Ela fala demais – ou de menos. Teima. E teima! Critica – e o pior é que, desta vez, geralmente tem razão. E se não tiver, chora. É a arma secreta delas, infalível. Pronto, você perdeu.

Mas se você tiver a sorte de encontra-la, não desista!

Aguente o choro. Ele passa. Aproveite, aliás, para enxugar suas lágrimas. Aguente as críticas. Pensando bem, a gente merece. Aguente as inúmeras vezes em que ela não estará produzida a contento: não dá para se manter arrumada em tempo integral. Agüente os ciúmes: se ela não gostasse de você, não haveria nenhum, certo?

Mesmo com razão, ceda – sempre que possível. Mesmo com razão, peça perdão. Sempre. Antes matar a lógica que dar à luz à solidão.

E lembre-se: sua musa é humana. Um ser biológico: espécime feminino de Homo sapiens. Ou seja: ela nasce, cresce, reproduz-se… e grávida, vomita, fica infantilizada, inchada, frágil, cheia de manias…

E envelhece. Um belo dia (belo, na sua opinião: para ela, será horrível!), ela vai se pentear, e aparece de cara amarrada. Ou simplesmente chora. Achou um fiozinho branco – um reles fiozinho branco! Ou uma minúscula ruga. Seus belos olhos viraram o que, microscópios?! Mas contra o tempo, nem a musa tem razão. E tome choro.

Portanto, prepare-se: sua conquista não será nada fácil! Mas aqui está o segredo: a hora de conquistá-la é agora!

Não deixe escapar nada: se ela chorar, pegue um lenço (rápido! Uma toalhinha de rosto serve!) e enxugue as suas lágrimas. E não se esqueça de oferecer o seu melhor ombro. Se puder também por no colo, tanto melhor.

Se ela achar algum “defeito” (leia-se “efeito natural”; neste caso, em si mesma), NÃO lhe dê razão, jamais! E se não der para esconder (quase nunca dá), faça vista grossa, minimize, desvie sua atenção, enrole… use toda a sua lábia. Sim, geralmente ela vai perceber que você está tentando enganá-la, mas acredite: a idéia é essa.

Se acontecer de ela carregar um filho seu, considere o sacrifício que ela está fazendo e agüente firme. Sem veadagem, pô! Olha só, a infeliz tem náuseas insuportáveis, inchaço pra tudo quanto é lado, o teu filho esculhamba o centro de gravidade da pobre mulher, fazendo com que sua coluna vire um centro de tortura… e você que se sente incomodado? Larga de frescura, che! Vá lá, segure a cabeça dela enquanto vomita (agüente o cheiro, p@#$%!), não deixe a infeliz pegar peso… e ache o maldito sorvete de leite de cabra!

E aceite a passagem do tempo. Sua musa é uma flor. E se uma flor não murchar, amigo, é porque é de plástico.

Pois é. É assim que se conquista uma mulher, parceiro.

Mas o sacrifício compensa.

Se você for competente, com o tempo, ela vai perceber que você é um bom amigo, um companheiro; que pode contar com você, sempre; e que não apenas consegue aturá-la, mas lhe tem amor.  Vai enxergar o príncipe encantado no feio, o porto seguro no pobre, e até o gênio no burro. Ou pelo menos vai achar sua burrice “singela”.

Vai ser a sua melhor amiga. Sua cúmplice, parceira, sócia, metade. Inseparável.

E você terá conquistado a sua mulher. Para sempre.

*Amor, obrigado por aturar dez anos de casamento com este incompetente conquistador, completados hoje. Por sua paciência e clemência, minha eterna gratidão.

Anúncios

%d blogueiros gostam disto: